Adotar também é poesia: Texto "TEMOS VAGAS" de Aline Rambo


Era uma vez um coração em cuja entrada havia uma placa onde se lia: “Temos Vagas”. Havia ali um espaço, ansioso por ser ocupado. Aquele espaço tinha um lindo objetivo, o coração tinha certeza.


Era uma vez uma barriga que tinha uma enorme vontade de gerar um filho, mas, por algum motivo, isso não acontecia.


Era uma vez outra barriga, que gerava um bebê, mas ele não era um filho. E, mesmo assim, nasceu.


Um dia, o coração conheceu o bebê e ganhou um presente: seu espaço, que era vazio, encheu-se. Primeiro de luz. Então de felicidade. Depois de ansiedade e curiosidade. Em seguida, de cuidado, afeto, carinho... Quando percebeu, o coração já não tinha mais vagas, tamanha era a quantidade de sentimentos que ali brincavam. E, tal como as cores, que quando todas misturadas viram branco, os sentimentos, quando brincam todos juntos, viram amor.


Hoje a placa não está mais lá no coração. Ele encheu-se de amor, sentiu-se completo. E agora ele sabe que não importa de qual barriga nasceram, os filhos sempre são do coração. E aprendeu também porque adotar é dotar-se de amor!

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