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Raiva x agressividade: Um caminho possível de lidar


Amor, alegria, frustração, medo, raiva e tristeza são emoções que precisamos expressar, caso contrário, o corpo responde, nosso organismo sente, reage, adoece. Afinal, como dizia o médico, psicanalista e cientista Wilhelm Reich, nossa história fica gravada no corpo. A raiva guardada, além de poder desenvolver vários tipos de doenças físicas e emocionais, no momento que a pessoa não aguenta mais contê-la, há uma explosão que pode levar à agressividade.


A raiva ou a agressividade que a criança ou adolescente apresenta tem um histórico e, sua origem, pode estar ligada a experiências traumáticas da infância, onde a criança, em vez de acolhimento e compreensão, pode ter experienciado violência psicológica ou física.


Para se proteger dessa violência, o ser humano dispõe de uma couraça. Couraça representa uma armadura, escudo, proteção, do âmbito emocional. A couraça se manifesta como defesa para proteger o Ego contra o perigo do mundo externo. Quando essas defesas se tornam cronicamente ativas e automáticas acabam formando as couraças, desta maneira definiu Reich, sendo assim um enrijecimento das atitudes características que podem desencadear um bloqueio emocional (VOLPI; VOLPI, 2003).


As couraças são flexíveis, se formam no dia a dia como defesas e podem ser abandonadas facilmente. Isso ocorre quando nos permitirmos descarregar nossas emoções, através de terapias, atividades físicas, enfim ações que nos proporcionem nos expressar saudavelmente.


A agressividade geralmente é constituída pela raiva contida. Tal contenção faz com que o ser humano enrijeça sua postura e mantenha sua musculatura contraída, como se fosse uma armadura emocional rígida. Desse modo todo o nosso corpo e nossa psique acabam sofrendo efeitos traumáticos a partir dessa raiva. Como a raiva não é um sentimento agradável se não lidada de maneira adequada, pode levar a agressão.


Viscott (1982) diz que as pessoas tem dificuldade em expressar a raiva, pois muitas vezes a verdadeira fonte da mágoa não está à disposição para que a pessoa dissolva este sentimento ou quando fizer isto provoca uma dor de tal forma inaceitável que a raiva fica bloqueada e os sentimentos de ira ficam presos dentro dela. Algumas pessoas não se permitem sentir raiva, se culpam por ter esse sentimento vez ou outra ou acham que é pecado. Há pessoas que acham que se ignorarem ou simplesmente esperarem que a raiva passe ela se esvaia, quando na verdade a raiva reprimida só fará aumentar a mágoa que a originou. Fica claro que os bloqueios que impedem a raiva de fluir de forma natural para fora, canalizam-na para dentro, como se a pessoa estivesse punindo a si mesmo.


Geralmente são crianças ou adolescentes com baixa autoestima e pouca auto confiança. No contato inicial demonstram uma valoração muito pequena a respeito de si mesmo. Muitos explicitam um comportamento excessivamente desafiador e competidor. Por outro lado, apresentam uma outra característica comum que é evitar ou fugir dos sentimentos.


A pessoa que compreende seus sentimentos não se permite ficar remoendo sua dor, dando asas a fantasias raivosas, ela confronta abertamente a pessoa ou os pensamentos gravados que lhe deixou com este sentimento e, logo, lhe diz exatamente o que pensa da situação, sem exagero e sem agressão.


Experiências vividas pelos pais em sua infância exercem influência sobre sua competência educativa. Enquanto alguns se apegam às próprias dores e reproduzem modelos de abandono e agressividade que viveram quando crianças, outros se permitem reelaborar as próprias carências com generosidade, oferecendo aos filhos acolhimento amoroso e continente, interrompendo assim o ciclo vicioso de violência física e patológica.


Segundo Luck&Struber(2006) parece que se a criança tem uma constituição cognitiva e emocional sólida, mas influências negativas do ambiente em que ela viveu podem ser compensadas com um ambiente atual de compreensão e amor.


É importante salientar que existe prevenção para que a criança ou adolescente não se comporte de maneira agressiva. A prevenção pode ter inicio na infância com precauções aparentemente simples como o cuidado, atenção e ajuda profissional. Uma vez recebida a atenção desejada, tendem a se acalmar e assim deixam de oferecer perigo.


É preciso que os pais e educadores conheçam e se apropriem da experiência própria do amor. O mais coerente é que as crianças desfrutem o amor deles abertamente. Pais que dão a possibilidade de liberdade de expressão são a semente da qual crescerão as gerações futuras, sadias de corpo e mente. Afinal, segundo Reich(1998) a mente e o corpo são uma unidade, a energia vital do organismo se expande quando nos sentimos bem e amorosos e contrai-se quando nos sentimos ansiosos, raivosos e culpados.


Trabalhar as mágoas existentes e a partir delas expressar a raiva com o cuidado delicado que ela exige, num ambiente terapêutico, sigiloso e coerente permite que um ferimento emocional vá se elaborando, permitindo a cura emocional dessa mágoa. O primeiro passo para que isso aconteça é se permitir sentir a raiva, identificá-la, tornar conhecida sua origem e então expressá-la sadiamente, ou seja sem se prejudicar e sem prejudicar o outro, pois expressar a raiva é uma reação natural, saudável, e necessária para manter equilibradas nossas emoções.


Para trabalhar as questões emocionais relacionadas a raiva/agressividade é preciso flexibilizar a couraça, que são as emoções reprimidas que vem através da repressão, que impedem a pessoa de progredir. Nesse sentido busca se o combate as emoções reprimidas por meio de técnicas de flexibilização das couraças, de modo a se libertar delas e poder vivenciar as emoções de forma plena e coerente para conseguir lidar melhor com o mundo a sua volta.


Lembrando que não devemos generalizar as crianças e adolescentes que se mostram com raiva ou agressivos, afinal cada ser humano tem sua história e cada pessoa tem um comprometimento em determinada fase da vida, a psicoterapia transcorre conforme a história de cada paciente e seus bloqueios.


O que de mais importante deve-se aprender em qualquer forma de psicoterapia é uma maneira adequada de vivenciar os sentimentos, de forma que fique um mínimo de resíduo dos encontros emocionais e que a pessoa fique livre para interagir com suas feridas emocionais, buscando a cicatrização das mesmas e uma melhor qualidade de vida para si e para os que o rodeiam.

Referências:

LÜCK, M.; STRÜBER, D. Local do crime: o cérebro in: NASTARI, A. (Org.) Viver mente e cérebro. São Paulo: Duetto, nº116, p.38-45, 2006.

REICH, W. Escute, zé-ninguém. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

VISCOTT, D. A linguagem dos sentimentos. 18. ed. São Paulo: Summus, 1982.

VOLPI, J. H.; VOLPI, S. M. Reich: da psicanálise à análise do caráter. Curitiba: Centro Reichiano, 2003.

Aline Costa (CRP 12/07755) é especialista em Psicoterapias Corporais e também estudou Terapia Sistêmica Familiar. Ela realiza atendimento clínico a crianças, adolescentes e adultos no Grupo de Estudos e Apoio à Adoção Anjos da Vida.

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